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James May, o defensor das bicicletas

James May

Captain Slow dixit:

“O que irei dizer irritará pelo menos um dos meus colegas do Top Gear, mas lá vai. Eu quero defender a bicicleta.

Sem dúvida, a bicicleta foi uma das maiores invenções da história. Sem a bicicleta, e o desejo por liberdade que ela criou, nós provavelmente não teríamos o carro. Muitas das nossas maiores montadoras começaram fabricando bicicletas – inclusive a Peugeot – e a maioria de nós aprendeu o básico do Código de Trânsito andando em uma bicicleta.

Muitas coisas na vida supostamente são como “andar de bicicleta”, ou seja, nós nunca esquecemos como realizá-las. Mas na verdade, é muito fácil esquecer como tocar instrumentos musicais, como fazer equações do 2º grau, desmontar e remontar um rifle com os olhos vendados e fazer bolos. Apenas a habilidade de andar de bicicleta permanece conosco após décadas sem andar em uma, e isso porque andar de bicicleta força-nos a utilizar alguns princípios inatos do básico das leis da Física. Uma bicicleta é uma extensão do seu corpo e da sua mente.

Quem não tem uma bicicleta, ou tem acesso a uma? É como ter alguns pares de sapatos ou um abridor de latas. Em locais como Copenhagen, onde andar de bicicleta é praticamente o ópio do povo, as bicicletas são como bens públicos. Ter uma bicicleta lá não é tão exclusivo quanto ter um guarda-chuva ou um gato.

Estou perfeitamente familiar com todas as objeções de praxe às bicicletas e o culto ao ciclismo, mas tudo não passa de hipocrisia. Há muito tempo que o ciclismo é usado para fins políticos, mas e daí? Isso pdoe ser ignorado, assim como o Partido Nacional Britânico. Eu me irrito com pessoas que compraram uma bicicleta há três semanas e agora as apresentam para mim como se elas tivessem acabado de descobrir a cura para todos os males da sociedade. Eu sei quais são os seus prós e contras. Um dos contras é carregar uma geladeira nova. A não ser que você seja chinês.

Ciclistas ignoram faróis vermelhos e andam nas calçadas, mas e daí? Ciclistas também são pedestres, já que eles usam as pernas para se locomoverem. Eles só acrescentaram algumas alavancas e engrenagens para melhorar suas próprias capacidades.

As bicicletas nunca deveriam ser regulamentadas, nem submetidas à taxação de impostos, nem seguro contra terceiros e nem um teste para ver se alguém tem a competência para andar nelas. Ela mesma testa você, porque se não conseguir, você irá esborrachar-se. As bicicletas são o primeiro degrau na escada do transporte pessoal e não deveriam pagar nada ao serem usadas. Eu defenderei a bicicleta até não poder mais.

Mas eu tenho uma reclamação. Ciclistas viraram um bando de miserabilistas.

Eu ando de bicicleta várias vezes numa semana ao lado do rio perto de onde eu moro. É bom para mim. Ou pelo menos até quando encontro outro ciclista vindo na direção oposta. “Bom dia”, eu digo alegremente, porque eu ESTOU alegre, enchendo meus pulmões com ar puro e dando um descanso aos meus ossos cansados. Não recebo uma resposta.

Eu fui contando, mas perdi as contas faz tempo. Acho que estava mais ou menos assim – May, 8.000; outros ciclistas, zero. Acho que o esquisitão da história era eu. Então tentei fazer uso de sorrisos. Também não deu certo.

Pessoas passeando com seus cães respondem. Assim como patinadores voltando para casa após um longo dia vasculhando lixeiras, coletando lixo, entregando encomendas e aparando seus arbustos. Às vezes até os cães respondem com um simples latido. Apenas os ciclistas rejeitam as convenções básicas do ato de cumprimentar que reafirmam nossa afiliação à uma fraternidade universal, que é ser um ser humano. Apenas um aceno com a cabeça bastaria. Nada.

Talvez estes ciclistas não me levam a sério, já que eu ando de bicicleta usando roupas normais, ao invés de um traje de lycra, um capacete como aqueles que vendem na TV e uma lanterna estúpida presa na minha cara. Só porque não estou vestido como uma Tartaruga Ninja não significa que não sou um ciclista. Sempre tive uma bicicleta desde os meus 3 anos de idade. Eu tive que ser arrancado de uma por uma velhinha bondosa no topo de uma montanha escocesa, já que minhas mãos ficaram congeladas no guidom. Não banquem os arrogantes comigo, seu bando de esnobes em lycra.

Foi isto que deu errado na suposta revolução das bicicletas. Honestamente, acho que elas são boas. Poderíamos andar mais de bicicleta, nos sentiríamos mais saudáveis, diminuiríamos o tempo que gastamos em jornadas e deixaríamos as vias públicas mais livres para as ambulâncias que nós eventualmente precisaremos chamar. Se andássemos mais de bicicleta, nós possivelmente melhoraríamos a condição fiscal do país.

Mas isso não acontecerá até que aqueles que presumivelmente representam esta velha e excelente atividade aprendam a fazê-la com um pouco de cordialidade. Alegrem-se, ou tombem.”

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Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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apenas pedalar ao nosso ritmo.

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