amigo peão, lembre-se antes de atravessar: Pare, escute e olhe, é que pode vir um ciclista!

>a passadeira mata, atravessá-la pode prejudicar a sua saúde!

Esta manhã fui confrontado com esta notícia do JN (ver no link). Um atropelamento ocorrido numa passadeira do Porto (precisamente a passadeira com a mensagem da foto, na Rua de Camões junto à Trindade), provocado por um ciclista que alegadamente não terá respeitado o semáforo vermelho. Mais tarde, e após os esperados comentários preconceituosos e argumentos absurdos dos seguros, das matriculas, dos selos… que deveriam ser impostos aos ciclistas, surge nas redes sociais a mensagem de quem esteve presente no momento do acidente e na presença dos acidentados, testemunhando em abono do ciclista:

testemunho-acidente-rua-camoes
Eu e muitos amigos ciclistas, nas nossas conversas, comentamos sobre a nossa relação com os outros utentes da estrada, a tal “velha hostilidade” do automobilista para com o ciclista. As nossas experiências ajudam a mudar a percepção e conduta de cada um, ajudando-nos a criar um contexto mais amplo no qual podemos moldar o nosso comportamento. As pessoas (peões ou pedestres, como quiserem chamar) não utilizam as estradas da mesma maneira que os veículos, porém são transeuntes, são também parte do trânsito e do fluxo de tráfego. Como o número de ciclistas tem aumentado, também tem o atrito entre ciclistas e pessoas que transitam a pé. Pelo que noto, a maior parte da animosidade provem da parte dos transeuntes. Alguns deles temem os ciclistas devido ao facto destes surgirem rápidos e silenciosos, na rua, nas ciclovias, indevidamente nos passeios, até mesmo quando utilizam as passadeiras ou as atravessam com o semáforo de peões no vermelho.

Porém, os ciclistas temem a conduta dos transeuntes em maior grau. O seu receio resulta do risco de queda consequente, do comportamento tipo aleatório de certas pessoas que caminham à sua frente, por exemplo, invadindo as ciclovias, sobretudo as que são exclusivas do ciclista. Também do comportamento arriscado de quem atravessa a rua fora dos locais adequados, sem olhar para onde estão indo, com resultado e incómodo de possíveis acidentes. A maioria dos ciclistas certamente já experimentou ter de se desviar de alguém para o meio do tráfego, ou travar de forma insegura para evitar colidir com uma pessoa que, inesperadamente, entrou no seu caminho.

Os peões não utilizam a rua da mesma forma como os veículos, porém são parte dela. No entanto esquecem-se muitas vezes da presença dos ciclistas. Ao atravessar a rua, fora da passadeira, viram a cabeça e o olhar confirmativo para os veículos a motor, mas distraem-se frequentemente não dando conta que pode vir um ciclista e ficar em rota de colisão. Certa vez senti na pele a aspereza do asfalto porque um peão tonto atravessou a rua a correr e parou espantado, bem à minha frente, quando finalmente me viu. Para não o atropelar, desviei bruscamente a bicla, perdi o equilíbrio e não evitei a queda. O cromo receou por mim, reconheceu a estupidez da sua acção e ainda me ajudou a limpar o casaco. Comigo estava tubo bem, a bicla é que ganhou mais uns riscos para a colecção.

Independentemente de ser o ciclista ou o transeunte o culpado destas situações, podem ocorrer lesões, dolorosas mas evitáveis. As bicicletas são normalmente consideradas inofensivas, todavia é sabido que, num acidente deste género, o povo imediatamente protesta contra a imprudência dos ciclistas, mesmo que seja a parte mais lesada. Estes incidentes com transeuntes alimentam a chama que incendeia a antipatia sobre a generalidade dos ciclistas. Nesses momentos, voltam a aparecer dois grupos distintos, como são os automobilistas e os ciclistas, mas a principal diferença é que enquanto nem todos os ciclistas são automobilistas, todos os ciclistas são pessoas, são transeuntes. Até se poderia pensar que esse facto ajudaria a reduzir o atrito entre todos, mas a atenção, o respeito mútuo, da regras e do espaço de cada um, provavelmente tornariam mais fácil a vida de todos.

n.d.r: Como conclui Joana Pinto no seu comentário, recomenda-se ao Jornal de Notícias que reveja os factos publicados, as notícias que dá, principalmente quando os ciclistas são noticia. Obrigado.

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Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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Uma resposta a amigo peão, lembre-se antes de atravessar: Pare, escute e olhe, é que pode vir um ciclista!

  1. Nelson Branco diz:

    Normalmente é assim… a culpa é sempre do gajo da bicicleta.

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apenas pedalar ao nosso ritmo.

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