às vezes, só é preciso fazer um longo passeio de bicicleta com amigos

Escolher um título assim parece banal para quem não alterou muito as suas rotinas em cima de um selim. Simplificando, o tema tem tudo a ver com esta pandemia prolongada em que definhamos, com confinamentos, cercos, testes e o diabo a quatro… sete ou oito variantes, já nem sei!

Na realidade, nenhum de nós está realmente bem no que está relacionado com a saúde mental. Uma definição de definhar é uma sensação de estagnação e vazio. Certamente, nesta comunidade incrível de aficionados do ciclismo muitos de nós deverá estar a sentir o mesmo, mesmo não parando de dar ao pedal.

O que sinto nas pessoas não é depressão, é a sensação de que as coisas estão um tanto ou quanto sem alegria e sem objetivo. Negligenciar a saúde mental pode entorpecer a motivação e o foco, passando o tempo parado, olhando para sua vida através de um ecrã ou de um pára-brisas enevoado.

Em vez de mergulhar a cabeça na areia e de nos auto-clausurarmos, a actividade de pedalar, especialmente para quem utiliza a bicicleta diariamente, para e do trabalho, tem esta coisa boa de dar uma boa razão para cuidar da mente, permitir o escape ao teletrabalho e ao sedentarismo. O que não fazia há tempos era um dia assim, a livre convivência de pedalar com amigos.

Queria voltar com eles para as estradas abertas, para as mesmas estradas que ultimamente tenho pedalado sozinho. Queria reviver um qualquer passeio que com eles fiz no passado. Queria lembrar um dos melhores dias que já tive numa bicicleta. Queria recordar o nosso grande amigo Jacinto, que quis o destino nos levar sem pré-aviso, o corpo mas não a sua alma que sempre estará, e esteve, ao nosso lado.

Ao nascer do sol do último dia do ano, eu, o Rui e o Couto, nos juntamos e pedalamos para norte, conversando e almejando dias melhores. Os raios da manhã fluíram livres através da brisa fresca, sob um sol luminoso. A minha mente estava serena, o ritmo pausado e adequado para, em harmonia, continuar a viagem em boa companhia.

Horas se passaram e as pernas continuaram, rodando os pedais em consonância com o ritmo das conversas e dos reencontros. Na tranquilidade da ecopista, em transe com tudo o que via e ouvia… Um melro perfurou o silêncio quando abandonou o seu poleiro, sobrevoou a minha cabeça, e na minha frente ficou a flutuar por alguns metros, como que para me dizer que eu estava no caminho certo.

Sabendo de antemão o que vinha depois de cada curva, eu estava ali desconhecendo tudo, como se fosse a primeira vez que pedalasse por esses caminhos. Maravilhado com cada paisagem, a querer tirar fotos a tudo, a cada cenário, sabendo que seria suficiente tirar fotografias com os próprios olhos.

Um dia de sol perfeitamente claro e quente demais para a época do ano. Ao longo da manhã nos deparávamos com um horizonte cada vez mais nítido, entre um verde brilhante contra o céu azul ofuscante. A natureza estava oferecendo a chance para a nossa mente relaxar. A bicicleta estava proporcionando o impulso para nos livrarmos das preocupações, dúvidas ou tristezas.

Enquanto rodávamos lentamente para sul, antes de irmos ao encontro com o oceano, o estômago reclamou. O almoço nos brindou mais uma vez com o valor da amizade, da vontade de estar junto. Nenhuma grande decisão na vida foi tomada naquele dia, mas uma tranquilidade no pensamento surgiu, por estar a disfrutar da boa companhia, a ouvir, a sorrir, a celebrar.

E para acabar uma pequena confraternização, afinal de contas é para isso que estamos aqui. A pedalada é só uma desculpa.

Depois de um longo e completo dia, o regresso a casa trouxe novos objectivos, embora pareça menos importante agora do que é a minha perspectiva, do que um longo dia de bicicleta realmente significa. Eu me senti revigorado, não pela distância, mas pelo tempo que passei com velhos amigos. BOM ANO.

Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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10 respostas a às vezes, só é preciso fazer um longo passeio de bicicleta com amigos

  1. Rui Morais diz:

    Mais uma excelente descrição de um dia muito bem passado. Abraço amigo.

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  2. paulofski diz:

    É isso Rui, temos de voltar a pedalar juntos mais vezes. Grande abraço.

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  3. Adão diz:

    Um abraço para os três ciclistas e um bom ano!

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  4. JTeixeira diz:

    Bom ano com muitas pedaladas e pomada FMJ!

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  5. paulofski diz:

    Obrigado Adão. Bom ano. Abraço

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  6. paulofski diz:

    Obrigado JTeixeira. A hidratação é importante ;D
    Bom ano.

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  7. Óscar diz:

    Um grande abraço para ti Paulo e amigos … parabéns pela iniciativa e estamos juntos no pedalar pra longe ….com amizade 🚴
    Este ano temos que reeditar um fleche que te parece??
    Grande abraço e força 💪🚴🙏

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  8. Nelson Branco diz:

    Voltinha top! Um excelente ano, que não falte a pedalada para a pedalada. 🙂

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  9. Jorge Reis diz:

    Um excelente Ano 2022 com muita saúde para todos vocês e um abraço especial ao meu amigo M. COUTO.
    Vemo-nos por ai ou através do Strava

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  10. paulofski diz:

    Bom Ano Jorge Reis. Gratos pelo comentário.

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apenas pedalar ao nosso ritmo.

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