dar crédito dá pouco trabalho

A câmara fotográfica do telemóvel que trago comigo é um instrumento indispensável nas minhas pedaladas. Durante as minhas viagens a pedais, a diversidade de oportunidades para captar um belo cenário ao longo da rota, enfatizando a bicicleta como assunto primordial, é um complemento ao cicloturismo. Juntamente com as panorâmicas, paisagens dos locais por onde vou passando, onde a natureza e a influência humana reúnem motivos para a coisa, é difícil não encontrar a desculpa perfeita para parar, encostar a bicla e tirar a câmara do bolso. Capturas rápidas no selim da bicicleta fazem também parte do apelo das pedaladas, as longas e as curtas, vendo o mundo passar lentamente podendo agarrar aquele momento certo e logo ali partilhá-lo através do visor desta geringonça.

Ontem deparei-me com esta excelente notícia, diga-se, na NiT. (Clicar ali nas letrinhas azuis para a ver)

Douro vai ter uma nova rota para ciclistas com 275 quilómetros

A publicação revela o projecto de uma nova rota ciclável com cerca de 275km pelo Alto Douro, pensada para “a prática de BTT e para cicloturistas, com direito a paisagens únicas”.

“Não é um percurso para ciclistas principiantes, embora seguramente valha o esforço, nem que seja apenas pelas paisagens singulares do Douro (…)

Vai chamar-se Grande Travessia do Douro Internacional e Vinhateiro e o seu percurso cruza três rios (Douro, Sabor e Tua) e sete concelhos: Miranda do Douro, Mogadouro, Freixo de Espada à Cinta, Torre de Moncorvo, Carrazeda de Ansiães, Figueira de Castelo Rodrigo e Vila Nova de Foz Côa.

“Será um equipamento para prática de BTT a nível nacional e internacional, que oferece aos praticantes um contacto privilegiado com um vasto território, nas melhores condições técnicas e logísticas para a prática do cicloturismo”, explica à “Lusa”, citada pelo “Público”, Nuno Trigo, secretário geral da Associação de Municípios do Douro Superior (AMDS), a responsável pelo projeto.

O investimento de cerca de 428 mil euros contempla também a instalação de centros onde os ciclistas poderão descansar, tomar um banho e cuidar das suas máquinas de duas rodas. Serão 20 espalhados por todo o percurso que estará dividido em seis etapas, uma em cada concelho.”

Contaram-me, fui ver a notícia e fiquei boquiaberto ao rever uma fotografia da velha Cósmica numa das minhas pedaladas breveteiras, no longínquo ano de 2014, ao longo do rio Douro.

Antes de mais vou deixar claro que é sempre com regozijo quando descubro que uma das minhas bicicletas é capa de reportagem de revista. Toda a gente sabe que a minha bicicleta é a mais bonita, especial e exclusiva do mundo e arredores.

O xôr “não-jornalista” que assinou a dita reportagem, repostou uma foto minha para emoldurar o texto sem me ter solicitado, nem tão pouco ter dado os devidos créditos ao fotógrafo. É tão fácil conseguir alguma foto na Internet, não é mesmo? O uso das imagens é livre, mas seria no mínimo cortês que se desse os devidos créditos ao autor. Não custa nada, né?

A NiT usaria a foto tranquilamente e em troca daria uma “recompensa” a quem a tirou e editou, mencionando o blogue de onde a retirou. Este, nabicicleta.com

Uma publicação como a NiT, que “terá sempre uma presença forte na internet, com produção de textos, fotografias, animações, ilustrações ou vídeos criados por jornalistas ou criativos, que chegarão aos leitores através da rede digital ou de aplicações para telemóvel”, deve no mínimo considerar devidos, respeitar e fazer respeitar, os direitos autorais sobre imagens, com fins comerciais ou não.

Pois é, neste caso, Daniel Vidal achou a foto certa, a imagem de uma paisagem e de um belo exemplar velocipédico condizente com o tema. Gostou da fotografia e quer repostá-la? Tudo muito certo. Falava com o detentor dos direitos autorais dela, e desde logo teria a minha permissão e agradecimento pela sua escolha, até porque teve muito bom gosto. Eu também teria tido todo o gosto em lhe sugerir mais algumas fotografias para escolha, talvez mais condizentes com o terreno, o território por onde irá passar a rota, e o roteiro de uma mágica travessia, por um caminho duraDouro.

Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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2 respostas a dar crédito dá pouco trabalho

  1. É, de facto, um comportamento muito pouco ético… para não dizer vergonhoso.

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apenas pedalar ao nosso ritmo.

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