da Baixa à Cantareira

No meu commute pós laboral, fujo dos gases de escape e do rugido mecânico para um pequeno refúgio de paz e sossego, a Cantareira. Quase a chegar à Foz do Douro, esta zona histórica da cidade do Porto resguarda um pequeno cais, porto de abrigo de pequenas embarcações onde pescadores ribeirinhos preservam tradições, concertam e arrumam as suas artes de pesca. Diz que o local deve esse nome a um tempo em que por ali existiam muitas fontes que traziam as pessoas a buscar água com as suas cantaras.

Testemunha de tantos perigos ao longo de séculos, assenta no cais a capela renascentista de São Miguel-o-Anjo, dantes com a função de farol, de fogo e facho, que orientava os navios manobrados pelos experientes pilotos na arriscada e temerosa correnteza do rio. Guarda memórias das façanhas e calamidades náuticas de que o Marégrafo foi sentinela. Da inquietação das marés que ao longo de séculos regulava o ritmo de entrada dos barcos na barra do Douro.

Então, dizia eu, desvio as rodas da bicla do meu habitual rumo e, sem incomodar as gaivotas, calco as gastas pedras do cais para ser capaz de sentir o som do rio, do vento e do faro. Dos putos das redondezas que em dias de calor vão para ali se refrescar com mergulhos destemidos para as águas do Douro, dos gabirus nem vê-los.

Dali tenho uma das vistas mais encantadoras do Porto e do largo correr do Douro, onde as águas se misturam com o sal do mar. Ao fundo, o imponente arco da Arrábida faz a ponte harmoniosa com a bela paisagem ribeirinha, de onde se avista da outra banda a Afurada e o Cabedelo. Deixo dona Tripas a reluzir sob um espelho d’agua. O Porto é uma cidade que me surpreende a cada instante e fico ali a matutar, que muitas vezes a maior beleza está em olharmos para um local de sempre e reparar na sua beleza como se fosse a primeira vez.

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Aproveito cada momento – onde é que eu já ouvi isto!:

…Com a merda na algibeira
O Chico Fininho …
Da Cantareira à Baixa,
Da Baixa à Cantareira…

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Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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3 respostas a da Baixa à Cantareira

  1. Nelson Branco diz:

    Nos dias quentes, quando pedalo por essa zona, gosto de parar para um fininho naquele bar umas centenas de metros atrás , junto ao ancoradouro do barco-táxi. Uma vista top sobre a foz do rio e sobre a mesa onde as cartas vão caindo entre dois dedos de conversa sobre o grande FêCêPê.

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  2. paulofski diz:

    esse é o quiosque do Cais do Ouro onde sérios campeonatos da sueca decorrem todas as tardes, mesmo que o tasco esteja fechado e esteja a chover. De vez em quando também é a minha estação de serviço para reabastecimento com um fininho e um pratinho de tremoços.

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  3. Nelson Branco diz:

    É esse mesmo! 🙂 Pequenos prazeres da vida…

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apenas pedalar ao nosso ritmo.

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