cutucar a onça com vara curta

Diz que o verão está aí mas só mesmo no calendário. Ao sair de casa, para uma espécie de treino / commute dominical, para a casa paternal, olho para cima e um céu pardacento me cumprimenta. Primeiro dia de Julho e ainda não fiz um dia de praia. Tsss…

Diante dos meus olhos as nuvens parecem irritadas e aí me lembro da má previsão do dia. Um vislumbre de tempestade iminente faz-me acelerar a pedalada. Não é esta atmosfera amorfa e gelatinosa que me deixa de pé atrás. Começo mais lento do que o normal, inspiro e os pulmões que se enchem de ar húmido.

Em pouco tempo tenho a companhia do mar. O vento rodopiante me abraça e derrete levemente as gotas de suor que escorrem pela testa. Perdido em pensamentos, na luta desigual contra a ventania, a visão da intempérie pairando no horizonte parece-me ainda distante. Praias desertas de gente, maré vaza e um mar estranhamente calmo.

Passo pela meta mas não detenho a pedalada. Apesar do risco, ainda é muito cedo para parar. Tenho tempo para continuar e dar meia a volta na Granja. Sem hesitar mantenho a cadência, à bolina, contra o vento e em direcção à tempestade.

Com os sentidos em alerta máximo, cheiro a presença da chuva que promete abater-se sobre mim, em breve, a qualquer momento. Desafio o São Pedro para uma corrida. O suor escorre pelas minhas costas. O calor e a transpiração retida no spandex, faz o meu corpo se sentir como numa panela de pressão.

Chego ao ponto de retorno e detenho-me o minuto suficiente para um gole de água e uma fotografia. Quando aquele vento me chicoteia, meio de lado, do lado do mar, uma espécie de pânico a roçar o medo me surge. Uma espécie de formigueiro desce pelo corpo enviando choques eléctricos que activam as pernas.

Estando agora a pedalar para norte, o boost energético é tal que parece ter sido atingido por um raio. Com a estrada aberta à minha frente sinto a fúria da natureza a empurrar-me. A tempestade lambe as minhas costas, e aquele vento sulista a ajudar gasto menos de metade da energia.

Faço uma careta desafiadora à tempestade. Só mais um quilómetro o céu enche-se de fúria. O primeiro estrondo de um trovão faz tremer o céu e nisto chego, mesmo a tempo de vencer a tempestade e de me esconder. A vitória é minha. Ufa… Livrei-me da chuva mas não me livrei do chuveiro.

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Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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apenas pedalar ao nosso ritmo.

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