oops!… crash!… urgh!… ☹↯✺➴☢✟

Tem alturas em que até eu acho que andar de bicicleta em alguns locais, tanto na cidade e principalmente nos arredores, talvez seja um pouco arriscado. O trânsito às horas de ponta e automobilistas imprudentes são apenas parte do problema. A outra parte são os próprios caminhos, tortuosos. Vai daí, a onomatopeia dar titulo ao postal. 

foto: urban repair squad

foto: urban repair squad

Depois de um longo e chuvoso inverno, muitas das nossas ruas e estradas parecem um campo minado. Fissuras e buracos gigantescos abundam no pavimento. Não importa o quão cuidadoso seja um ciclista e circule o mais próximo da berma, em algum momento um carro vai estar demasiado perto e ele não terá outra hipótese se não passar com as rodas por cima de um buraco. Com alguma sorte, o ciclista pode ter tempo e espaço para saltar e fugir do buraco sem danos de maior. Mas isso requer boa dose de destreza e sangue frio, o que nem sempre é possível. Grande parte dessas crateras surgem no lado da estrada onde a bicicleta mais vezes circula, à direita da faixa de rodagem. Isso faz com que seja extremamente difícil para o ciclista manter um movimento normal, porque para evitar males maiores tem muitas vezes de se desviar para o centro da via. Alguns automobilistas ficam particularmente furiosos e não conseguem, ou não querem, entender porque ziguezagueiam os ciclistas à sua frente!

Com o passar do tempo, devido ao mau tempo e a obras mal engendradas, o desgaste das vias é natural. As marcações das passadeiras deterioram-se ao ponto da quase invisibilidade. Somente as pessoas que estão familiarizadas com essas ruas têm consciência da presença das marcações das passadeiras. Em algumas ciclovias a tinta e linhas pintadas vão também desaparecendo. Isto levanta uma questão importante sobre a segurança de todos, particularmente de quem as usa. A julgar pela condição de algumas ciclovias, é difícil não concluir que elas foram instaladas para inglês ver, sem o mínimo de estudo, de planeamento adequado e sem a intenção de serem mantidas.

Temos muitas ruas e estradas que estão em péssimas condições. O envelhecimento de algum tipo de pavimentos, como o empedrado, e a extrema ruína de outros, torna muito complicado ao ciclista usar essas vias. A manutenção de estradas não é claramente uma prioridade e que parece estar no topo da lista dos cortes orçamentais. Só quando a deterioração das estradas se tornam demasiado perigosas para os carros é que lá vai uma equipe camarária, os tapa-buracos, remendar o asfalto com compostos de má qualidade, em trabalhos descuidados que deixam irregularidades no piso e o consequente solavanco. Um monte de tempo e de esforço canalizado para nada resolver.

À luz do dia fazemos chicanes, já as pedaladas nocturnas são ofuscadas por sacudidelas súbitas que percorrem o quadro até ao esqueleto. São como um lembrete nas mãos e braços do quão ruim está o estado das nossas ruas e que devemos redobrar cuidados. Estar particularmente atento, usar iluminação capaz de enxergar o pavimento, detectar os buracos atempadamente e não não esquecer as tampas de saneamento desniveladas, tirar o rabo do selim para absorver o choque quando as irregularidades do piso não nos dão alternativas, são conselhos possíveis para evitar cair com as rodas numa cova.

Sobrevivemos num pais que é um enorme buraco, onde não há dinheiro nem para mandar cantar um cego. Reclamar melhor qualidade das estradas, mais e melhores ciclovias, pode ser uma batalha difícil mas é uma luta que vale a pena e que pode ser mais fácil de ganhar quando os automobilistas também beneficiam com isso. Um esforço mútuo de exigência para melhorar a manutenção das estradas, ao mesmo tempo projectar vias que acomodem em segurança a bicicleta, é benéfico. A Primavera chegou definitivamente e com ela muitos ciclistas começam a sair do casulo. Em ritmo laboral ou desportivo, com menos camadas de roupa, as horas adicionais de luz do dia dão um belo colorido às ruas.

Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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apenas pedalar ao nosso ritmo.

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