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apanhadas em Gaia, no recinto “Marés Vivas”

“pedalar é chic…

… e faz bem a tudo. Até ao ego.

Para mim, há duas abordagens à utilização da bicicleta: a do desporto, que transporta as bicicletas nas barras no tejadilho dos carros para depois subir montes e vales, ou fazer percursos mais a direito mas aparentemente intermináveis.

Obriga a dress code muito pouco chic.

E a da bicicleta como meio de transporte. Não desprezando a primeira, porque às vezes andar a subir os montes até tem piada (só mesmo muito às vezes), a segunda, para mim é quase um modo de vida. Porque se há aqueles para quem um percurso de 500 metros pode parecer uma longa caminhada, para outros, 5 quilómetros na bicicleta fazem parte da rotina diária e sabe muito bem. Mesmo com o mais chic dos outfits

Admito. Lisboa não é a cidade perfeita para pedalar. As colinas, o comportamento dos automobilistas, a atitude das pessoas para quem a bicicleta ou é coisa de miúdos, ou é para fazer desporto ou é para gente doida, um bocadinho alternativa. Tudo errado. Somos tão provincianos quanto isso. Tão dados à ostentação que, a bicicleta, como meio de transporte é para quem não tem um carro. E isso quererá dizer que não tem dinheiro. E não ter dinheiro é ser pobre. E isso é coisa que ninguém quer, porque somos todos tão burgueses ou com linhagem que tal coisa não é admitida.

O que estas pessoas não sabem é que o universo das bicicletas vai muito além daquilo que se vê na Sportzone ou na Decathlon. E, se nestas lojas também as há com preços elevados, representam apenas uma pequeníssima amostra daquilo que pode custar uma bicicleta. E não falo de bicicletas topo de gama ou de corrida. Estou a falar de bicicletas aparentemente normais…

Um dia, alguém ousou sair de bicicleta para o trabalho. No dia a seguir – sim, porque somos também um país de imitadores – alguém que tinha visto pensou: se ele faz, eu também posso fazer. E saiu com a sua bicla, ou bina, ou bicicleta para ir trabalhar. E depois descobriram que há uns modelos que se dobram. E depois encontraram modelos vintage a lembrar as pasteleiras do meu tempo de pré-adolescente.

Pedalo há muitos anos. Lembro-me de ter aprendido algures entre os 4 e os 5 anos e de me ter estatelado no chão por olhar para trás e acenar à minha mãe, porque o meu pai havia largado o banco e estava a pedalar sozinha. Não repeti. E lembro-me, já com seis anos, de andar na praceta atrás de casa, aprendendo a pedalar sem rodinhas. E foi tão bom começar a dar a volta à praceta. À rua. Ao bairro.

Cada vez mais longe. Até que fiz da bicicleta o meio meio de transporte.

Às vezes, ao final da tarde, já cansada, esperava pelo meu pai para fazer os últimos 100 metros agarrada ao carro, à boleia. Tudo era perigoso, mas havia mais respeito. Os carros, na vila e na marginal circulavam mais devagar, com alguma calma e paciência. Fiz muitas vezes o percurso até Cascais de bicicleta e daí até ao Guincho. Às vezes, até à Malveira. Nunca tive medo. Nunca senti razões para o ter. Hoje, não o faço.

Comecei por ter uma vilar, roda 16. A seguir, usei uma bicicleta que o meu pai havia comprado na Holanda (wonder why…), roda 20. Adorei essa bicicleta e, estupidamente, deixei que o tempo a estragasse. Dobrava-se ao meio, para transporte, e tinha sistema de travagem com os pedais. Era único na altura e todos me invejavam (o que na pré-adolescência dá muito jeito). Finalmente, a pasteleira de sonho, roda 26, sem mudanças e com um selim branco. Durou anos. Vários. Até ser substituída pela actual, uma espécie de híbrido que serve para andar na cidade (mas não é citadina) e fazer uns atalhos (sem ser desportiva).

E é sempre uma surpresa quando me vêm chegar de bicicleta.

Primeiro estranha-se, depois entranha-se.

A reacção é sempre a mesma: adorava poder fazer o mesmo, dizem…”

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Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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4 respostas a can´t miss [3] amalaamarela.blogspot.pt

  1. Anónimo diz:

    olá Paulo.
    vou seguindo o teu blog, que gosto bastante…
    de facto pedalar está na moda, é chic.
    Confesso o “chic” que me desperta sentimentos contraditórios, por um lado soa a elitismo presunçoso em algo intrinsecamente popular por outro, promove o uso bicicleta o que é muito positivo.
    Eu pedalo em Lisboa, é um pouco como dizes, a bicicleta ainda não é vista como um meio de transporte como outro qualquer, há muita falta de civismo etc etc tudo isso é verdade, mas não é tão mau e definitivamente não é desculpa para não andar de bicicleta em Lisboa… Em termos de desculpas o top 3 são: 1º o suor, 2º as colinas de Lx, 3º o perigo em lisboa. Do que tenho visto nenhuma delas é verdadeira para mim. a 1ª basta pensar que não se está a fazer corridas, é andar nas calmas, sua-se um boadinho mas nada de insuportável, é normal até sem andar de bicicleta se sua…. a 2ª se é um problema que se compre algo com mudanças qeu resolve o problema, a 3ª há de tudo a maioria das pessoas até respeita e até dão prioridade em locais que não é suposto, há sempre os artistas, o melhhor é a condução defensiva e nas calmas, ainda não me vi em nenhuma situação de verdadeiro perigo. Bem mas eu não “quero ensinar a missa ao Padre” 🙂
    Quero falar da última frase: “A reacção é sempre a mesma: adorava poder fazer o mesmo, dizem” é verdade, desde que comecei a andar já despoletei esse sentimento em muitas pessoas dentro e fora do trabalho, o que me agradou muito, porque eu não sou nada de “impingir” ideias e apenas o meu exemplo serviu para despertar a vontade de ir de bicicleta, até surgiu um movimento no trabalho para haver balneários para o pessoal tomar duche. Ganhou força conceptualmente mas na prática…. hum… duvido, acho que era preciso as pessoas começarem mesmo a ir de bicileta para acontecer algum coisa, para se ver que existe mesmo vontade.
    Eu lá continuo a ir todos os dias, sem balneários e ainda ninguem fugiu de mim ehehe

    abraço
    Jose Mota

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  2. paulofski diz:

    Grato pelo comentário José.

    Ser “chic” ou “cycle chic”, o importante é ser cycle. Considero a bicicleta um meio de transporte, qualquer que seja o modelo, e não apenas um mero suplemento fashion ou in. Mas cada um tem o seu próprio estilo que merece ser respeitado. Mais do que tudo é preciso valorizar a bicicleta, a pedalada. Cada um dentro do seu movimento, do seu estilo, ao pedalar vai demonstrando que os mitos existem para serem derrubados.

    Não sei se o meu exemplo terá mudado os hábitos de alguém, mas tenho notado que as ruas da Invicta são cada vez mais percorridas por pessoas que pedalam, pessoas de todas as idades, para os mais diversos locais, o que me dá uma enorme satisfação. Sinto que a revolução alternativa está em movimento.

    Se me dás licença, o teu testemunho vai ser alvo de publicação aqui nabicicleta. 🙂

    Abraço.

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  3. Anónimo diz:

    Paulo,

    pode publicar à vontade, mas corrija os erros 🙂
    tem muito erros de escrever à pressa (é de estar num teclado pouco habitual)

    como eu disse outro dia, a discutir as motivações de andar de bicicleta, as razões para começar a andar pouco importam desde que se ande e que nos divirtamos com isso.

    ja deve conhecer esta imagem:

    o benefício que mais gosto é:
    “Põe um grande sorriso no seu rosto”

    Se as pessoas experimentassem iriam surpreender-se com a satisfação de andar de bicicleta no dia-a-dia.

    abraço
    José Mota

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apenas pedalar ao nosso ritmo.

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