há biclas e “Biclas”

Em Copenhague, cidade pobre, as pessoas andam de bicicleta nas ruas. Têm pistas próprias mas não precisam de percursos alternativos, nem gradeamentos para os separar dos automóveis, porque cada um sabe cumprir o seu papel…

Em Lisboa, cidade rica, não faltam ciclovias, protegidas por gradeamentos ou blocos de cimento, para que os automóveis não invadam o espaço destinado às bicicletas. Só é pena estarem  neste estado…

… ou às moscas!

Trazido do Crónicas do Rochedo

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critical mass London, May 2012

Durante a última Massa Crítica a polícia londrina montada a cavalo partiu para a agressão e desencadeou uma desnecessária escalada de violência.

Não sei bem o que originou essa tensão. Li entretanto várias opiniões mas que parecem divergir. Na massa crítica há participantes. Cada indivíduo integra-a com a sua própria ideia. Não é só para bicicletas, às vezes há skates, patins, cadeiras de rodas e outros meios de locomoção humana. Tratam-se de pessoas e é o número que faz do movimento a sua força. Não há organizadores, não há roteiros planeados. Há alegria, celebração, liberdade. Em mais de 300 cidades ao redor do mundo acontece quando dezenas, centenas ou milhares de ciclistas se reúnem para ocupar seu espaço nas ruas e criar um contraponto aos meios mais estabelecidos de transporte urbano. Nós somos trânsito.

 

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ciclofilia [42] King Of The Cage 2012


Auckland bike polo 2012 annual tournament.

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liberta a bicicleta

Para começar pega uma bicicleta, qualquer uma, mesmo aquela bicla velha de pneus vazios e corrente enferrujada que tens há muito esquecida. Enche-lhe os pneus, unta-lhe a corrente, monta-a delicadamente e impulsiona os pedais. Dizes que vais ficar com as pernas e o rabo doridos. É bem provável, mas o meu palpite é que ela te vai fazer recordar o tempo de criança, livre, explorando o mundo e arredores com os teus amigos. Dá-lhe um par de semanas sentado no selim e verás como o teu corpo se vai adaptar a ela. Pedalar é a actividade perfeita, permite que estejamos ao ar livre, respirar ar puro, ver a cidade, o campo, chegar perto, partilhar bons momentos com os amigos e manter-se apto, sem stresses.

Para mim, o ciclismo sempre foi uma aventura. Toda vez que saio para um passeio com alguma das minhas biclas vejo algo que nunca vi antes. Para mim é mais do que o exercício, é o meu bem-estar, é a minha terapia, e é meu estilo de vida. Às vezes me perguntam porque passo tanto tempo a pedalar. A resposta não é tão simples como pode parecer. Eu gostaria de ter uma resposta rápida, uma única frase que resumisse o que é para mim a velocipedia, mas a resposta que tenho para dar é longa como a razão pela qual eu gosto tanto de andar de bicicleta. Mesmo assim vou compartilhar com vocês.

Eu adoro a sensação de liberdade que sinto quando estou a pedalar as minhas bicicletas: a velocidade, a inclinação, o movimento para a frente, as vibrações e o vento no meu rosto. Há uma mudança constante de cenário, posso ver, sentir e cheirar. Gozar do que a liberdade traz consigo, uma sensação de autonomia, um senso de aventura. Mesmo que já tenha viajado antes pelas mesmas estradas, muitas vezes eu tenho a mesma sensação de exploração semelhante a quando eu era criança e pedalava a minha primeira bicla pelas ruas do bairro. Então, como agora, eu podia sentir a Terra girar sob o meu corpo, quase como se a minha pedalada é que a fizesse rodar no seu eixo.

Eu gosto da simplicidade da bicicleta. Esquece por um momento a geometria do quadro, a quantidade de mudanças, o tamanho do pedaleiro, a largura dos pneus e todos os palavreados técnicos. A bicicleta é uma estrutura simples com duas rodas que devem ser movidas pelo fogo dos músculos. Um fogo sem fumo. Há algo organicamente gratificante sobre o acto de usar a própria força para me empurrar. Foi emocionante quando eu tinha 6 anos e é altamente agradável agora que cheguei aos 46.

A bicicleta oferece-me tempo. Tempo para alcançar, para conhecer, para acompanhar ou ficar sozinho. Eu posso escolher entre a necessidade de me deslocar ou simplesmente aproveitar para pensar sobre todas as coisas, desfrutar do mundo e todos os seus elementos. Para mim, um passeio de bicicleta é muitas vezes um momento em que eu posso gerar ideias, procurar uma maneira melhor de fazer as coisas, sonhar com novas abordagens para a felicidade. A minha bicicleta é o meu refúgio, o meu compromisso para uma saúde melhor. É a minha religião. É a antítese entre ficar enclausurado numa cápsula de anonimato ou, de um modo peculiar, manifestar os meus sentimentos ao mundo.

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fotocycle [19] o corpo precisa de alguma estabilidade na vida

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fotocycle [18] breakfast

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um livrinho para mimar a nossa companheira de viagem

As bicicletas são máquinas relativamente simples. Basicamente consistem num esqueleto que une duas rodas, dois pedais, engrenagens, um selim e um guiador, no entanto quando avariam durante um passeio há ainda quem fique a coçar a cabeça tentando perceber o que correu mal. Ao invés de ser obrigado a apear e pedir o carro vassoura, que tal aprender alguns truques com um pequeno manual para a manutenção da bicicleta. Para além de nos ajudar a treinar a língua inglesa, este livro de edição recente detalha tudo o que é preciso saber sobre reparações básicas de manutenção: como reparar um furo, substituir os calços dos travões, ajustar cabos e corrente, limpeza e lubrificação. Com uma linguagem simples e de fácil entendimento, trás montes de dicas com ilustrações, desenhos e fotografias, para além de ser prático o suficiente para transportar na mala ou alforge (17 x 13,20 x 1 cm).

Peter Drinkell escreveu-o para auxiliar o principiante, mas o objectivo não é tanto torná-lo um sábio das duas rodas mas sim aperfeiçoar e enriquecer a experiência de pedalar. Como qualquer outro livro do género, este manual irá também economizar tempo ao evitar ter de procurar uma oficina. Num DIY de graxa nas mãos, o “faça você mesmo” vai mudando a nossa forma de lidar com a bicicleta. Ao sermos capazes de a tratar com cuidado, de não a torturarmos, entra-se em sintonia com a máquina mantendo-a a funcionar na perfeição. Assim a bicicleta premeia-nos com um passeio muito mais agradável.

O Manual do Proprietário da Bicicleta, assim traduzido à letra, pode ser encontrado num sítio perto de si, como por exemplo aqui!

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