saltos altos e rodas finas

Diz-se que o uso da bicicleta é predominantemente uma actividade masculina. Ora, na minha contabilidade, feita a olho nú e com lápis pendurado na orelha, a realidade não me surpreende. Ao pedalar pela Imbicta e à volta do burgo observo que, senão um terço, pelo menos uma fatia bem jeitosa de utilizadores de bicicleta são mulheres. Embora suspeite que a balança tende a ficar cada vez mais equilibrada, não existem estatísticas fidedignas sobre quais as características dos ciclistas ditos urbanos: quantas mulheres e quantos mulheres usam a bicicleta diariamente, se para lazer, desporto ou para transporte.

Algumas questões vêm à mente ao pensar porque estão as mulheres menos propensas a comutar na bicicleta do que os homens. Preocupações de vária ordem, como a dificuldade de pedalar no trânsito pesado entre motoristas apressados, o receio de andar sozinha em locais pouco seguros, a escassez de ciclovias, às vezes a necessidade de viajar longas distâncias, todas estas razões podem ser um desincentivo ou um problema. Além dessas ainda ouço que algumas roupas que as mulheres usam são menos adequados para andar de bicicleta, são as arrelias do mau tempo, é a falta de condições logísticas no local de trabalho e o sentimento de exposição geral, que ainda vêm mais a mulher na bicicleta como um factor de vulnerabilidade do que de liberdade.

Mas há de facto muito mais mulheres envolvidas no ciclismo, não apenas para passeatas ou actividade desportiva, mas essencialmente como meio válido de transporte, de viajar para o trabalho, transportar compras, levar os filhos à escola. Na nossa cultura há uma ênfase desusada de como as mulheres olham para a prática do ciclismo. Que lhes desencoraja ter de fazer esforços físicos, que a mulher não pode ir bem vestida, e um dos seus problemas pendulares, o cabelo e o capacete. Ok, é o suor, o penteado, a maquilhagem, a saia apertada, mas depois do trabalho muitas preferem ir de carro para o ginásio suar numa bicicleta estacionária!

Em abordagens interessantes com amigas minhas, que não pedalam com regularidade mas que até gostariam de o fazer, fiquei a saber que as suas preocupações são variadas e vão desde a velocidade dos carros, à falta de ciclovias com rotas directas, e ao escasso ou nenhum conhecimento sobre a reparação de bicicletas. Com excepção de problemas pessoais, de segurança e outro género, muitas dessas preocupações que impedem as mulheres de pedalar mais activamente também afectam os homens. Se as mulheres estiverem mais representadas na matilha ciclo-urbana, seria bem mais fácil obter apoios para que as autoridades investissem em infra-estruturas para a bicicleta. Todos os ciclistas beneficiariam de mais ciclovias, de uma maior conectividade entre rotas, o número de carros diminuiria e o menor congestionamento reduziria o impacto ambiental negativo dos carros.

As bicicletas são uma fonte de liberdade. Direccionando as pedaladas para vários objectivos, a bicicleta proporciona uma maior mobilidade e transporte gratuito que pode funcionar como um incentivo para a participação de mais mulheres. Conheço várias que muito pedalam, que fazem diariamente o trajecto de bicicleta para o trabalho. Aliás, para todo o lado. Como ciclistas regulares, ágeis e rápidas, não são inferiores aos homens, bem pelo contrário, e é com facilidade que descobrimos isso.

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Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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apenas pedalar ao nosso ritmo.

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