cortesia a pedais

Com o início do dia é bom ver outros ciclistas ao longo das ruas e ciclovias a desfrutar da liberdade da manhã. É um belo momento do dia, sereno, tranquilo, radioso e com a excepção de um velho hábito para o qual destino as minhas pedaladas matinais, esta mania estranha de ir marcar o ponto, encontro mais madrugadores a pedalar as suas bicicletas numa manhã estranhamente calma de Julho. Eu gosto. E digo estranhamente calma porque com as férias escolares e gente que ainda dorme, muitos carros não saíram das garagens. Não os invejo por isso, bem pelo contrário.

O que não estranho é receber de passagem um sorriso, um aceno, um “olá”. De alguma forma é natural para dois ciclistas que o possam fazer. No percurso para o trabalho, ultrapassar quem se conhece e depois acompanhar a pedalada à conversa. Por conseguinte, o mesmo acontece no ciclismo de estrada onde é natural ouvir uma saudação de “bom dia”, mesmo vinda de estranhos. Às vezes acontece parar para auxiliar um colega ciclista que está parado na berma da estrada, uma cooperação recíproca da irmandade que existe entre a maioria dos ciclistas. E num Domingo solarengo, na ciclovia da Foz, onde marés de ciclistas fazem o seu passeio matinal, é frequente cruzar e cumprimentar velhos amigos que pedalam também.

Não estranho, de certa forma, que os automobilistas não se cumprimentem uns aos outros, a menos que sejam camionistas da mesma empresa. E para os peões seria muito incomum para duas pessoas que não se conhecem abrir a boca e trocar saudações alegres. Não me importa se alguém não retribuir a minha saudação. Nem todo mundo é tão agradável.

O ciclismo é sociável. Quando pedalamos na rua, no monte, na estrada, é tão natural ver uma mão aberta, um sorriso, simples acto de cortesia e de simpatia vinda de um outro ciclista. Uma das minhas melhores lembranças da pedalada até Santiago de Compostela foi passar por todas aquelas pequenas vilas e aldeias e cumprimentar todo o peregrino, ciclista ou caminhante. Ouvir e retribuir com um “bom dia, “um bom caminho”, não só define um tom de simpatia para o resto do dia, como não custa nada. Custa tão pouco ser agradável e acrescenta maior disposição para se enfrentar a jornada. Custa tão pouco ser educado, sorrir e acenar para alguém, num sociável intercâmbio. Um leve aceno, um sorriso, é a afirmação que tudo está bem. Numa fracção de segundos estaremos de volta concentrados no nosso caminho.

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Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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apenas pedalar ao nosso ritmo.

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