quem tem medo compra um cão

Maciej Dakowicz photopraphy

Para além de uma certa perícia, pedalar exige bastante equilíbrio. A partir do momento que se fizer da prática uma constante, toda a gente é capaz de adquirir a habilidade necessária para andar de bicicleta. Ou seja, quanto mais pedalar, mais equilíbrio, mais perícia, mais confiança se vai ganhando. Como tudo na vida é um processo evolutivo. As dificuldades iniciais deixarão de existir principalmente de houver insistência e dedicação.

Na prática do ciclismo ter uma queda é normal. Não existe nenhum ciclista, do menos ao mais experiente, que não tenha dado um trambolhão. Ou por insegurança, falta de sorte ou excesso de ousadia, todos já caíram. A insegurança e o medo são factores bloqueadores. Quando dominada pelo medo, a pessoa tende a não raciocinar correctamente, fica insegura e não consegue fazer os movimentos correctos. Para perder o medo e se sentir mais seguro é necessário enfrentar esse medo e praticar. Em local tranquilo, onde ciclistas não compartilham a rua com veículos, com o auxílio de alguém mais experiente, vai-se ganhando auto-confiança. Adquire-se o respeito pela bicicleta, noções e conhecimento das técnicas do pedal: como e quando travar, como trocar de mudanças, saber virar com segurança, etc.

A bicicleta não morde, é nossa amiga. Uma vez sentado no selim, a bicicleta torna-se a extensão do nosso corpo e com ela formamos um conjunto cadenciado. De início não pretenda dominá-la, use apenas o movimento correcto do corpo para ficar em harmonia com a máquina. Muitas vezes o medo advém do meio e trânsito circundantes, dos obstáculos, das descidas… À partida, a bicicleta está preparada para ultrapassar sem dificuldades a maioria desses obstáculos. Portanto, a partir do momento em que pedale sem receios por locais calmos, com um sentimento de segurança e confiança, vai controlar melhor a bicicleta, permitindo que faça o seu percurso livremente.

Por exemplo, na minha mais recente aventura radical no bêtêtismo, confesso que a certa altura fui dominado pelo medo e, em resultado disso, dei um valente trambolhão, felizmente sem consequências para além do valente susto e de uns arranhões. Talvez pelo cansaço acumulado e certamente pela falta de traquejo, apavorei-me com a derradeira descida, por sinal a única com a sinalética de perigo. Com uma inclinação brutal, bastantes buracos e pedra solta, apoderou-se de mim o pavor repentino de cair e precisamente pelo facto de estar a descer e sempre a travar, caí que nem um tordo.

Do lado oposto ao medo e à insegurança está exactamente o excesso de confiança e a negligência. Na medida em que cresce a autoconfiança, em que achamos que já dominamos a bicla, existe a tendência de nos tornarmos confiantes em demasia, sendo até negligentes. Lembro que na minha juventude a razão de muitas quedas que tive foi precisamente pela extrema falta de cuidado e arriscar em demasia. Não há nada mais delicioso do que descer a toda a velocidade. O vento na cara, a adrenalina, o coração disparado, o prazer e a sensação de poder que a bicicleta nos dá. É, tudo isso é muito bonito, mas certamente que as probabilidades de termos um acidente são proporcionais ao risco, embora haja ocasiões em que é o factor imprevisibilidade que nos deita ao chão. Mas que diacho, para isso também não saíamos de casa, não é mesmo!

Apesar das nódoas negras e dos arranhões, o ciclismo trás muitos benefícios. Seja em que estágio se estiver, é importante saber que a bicicleta é um meio de conhecer e dominar os nossos receios. Por vezes são memórias desagradáveis da infância que causam o pavor à bicicleta. Nas competições de ciclismo, como o Tour de France, vemos acidentes durante as corridas, desagradáveis às vezes, mas esses são ciclistas profissionais, que pedalam praticamente encostados uns aos outros, a alta velocidade e por descidas íngremes. Essas ocorrências não devem contribuir para que as pessoas se deixem dominar e ampliem o seu receio em andar de bicicleta.  Substituindo os sentimentos negativos pelos sentimentos positivos, temos o poder e a capacidade de decidir o que fazer com as nossas fobias. A decisão é somente nossa. Como dizia o meu avô, “quem tem medo compra um cão”…

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Sobre paulofski

Na bicicleta. Aquilo que hoje é a minha realidade e um benefício extraordinário, eu só aprendi aos 6 anos, para deixar aos 18 e voltar a ela para me aventurar aos 40. Aos poucos fui conquistando a afeição das amigas do ambiente e o resto, bem, o resto é paisagem e absorver todo o prazer que as minhas bicicletas me têm proporcionado.
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apenas pedalar ao nosso ritmo.

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